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 Fulan


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    74/74 Torcedora do Brasil comparece no Maracanã para a final do futebol masculino contra a Alemanha (Ivan Pacheco/VEJA.com)


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    1/74 Neymar comemora a medalha de ouro com seu filho (Ivan Pacheco/VEJA.com)
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    2/74 Renato Augusto comemora após marcar gol de pênalti sobre a Alemanha (Ivan Pacheco/VEJA.com)



Gol da Alemanha? Medalha de prata? Não mais. A seleção brasileira, enfim, conquistou o título olímpico no futebol ao bater a Alemanha nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal, em uma noite de gala, com drama e emoção, no Maracanã. Neymar, com uma espetacular cobrança de falta, e Max Meyer, o destaque alemão, marcaram os gols da partida. No fim, brilhou a estrela do goleiro Weverton, que defendeu a cobrança de Petersen. Neymar, então, converteu a última cobrança e fez tremer as arquibancadas do templo do futebol.

A vitória dramática colocou fim ao trauma brasileiro de sempre bater na trave em Olimpíadas. E, se o título não apaga o vexame do 7 a 1, certamente ameniza a dor da derrota do Mineirão em 2014 – e deixa com a Alemanha a decepção de não ter um título olímpico.  De quebra, o Brasil superou a extinta Iugoslávia e se tornou o país com mais medalhas olímpicas na história do futebol: seis, duas de bronze (Atlanta-1996 e Pequim-2008), três de prata (Los Angeles-1984, Seul-1988, Londres-2012) e a medalha dourada conquistada em casa.

Neymar, tão criticado nas primeira partidas, saiu consagrado. Com um golaço de falta que fez lembrar Zico, arrancou aplausos até mesmo de Usain Bolt, o mito jamaicano que pulou como um pentacampeão nas arquibancadas. O camisa 10 ainda fez o que craques como Romário, Ronaldo e Ronaldinho não conseguiram: subir ao mais alto do pódio. Depois, em entrevista à Rede Globo, parafraseou Zagallo ao responder os críticos. “Vocês vão ter que me engolir.”




Mais importante do que a medalha dourada, a Rio-2016 deixa uma herança importante para o futebol brasileiro: o time de Rogério Micale apresentou uma filosofia de jogo definida, voltada ao ataque, algo que há anos o Brasil se ressentia. Ainda é cedo para se empolgar, mas Tite, que estava no estádio certamente irá se aproveitar na equipe adulta da semente plantada por Micale. Gol do Brasil.

Euforia – O arrepiante momento do hino nacional, cantado por 70.000 vozes, foi o prenúncio da bela festa que se daria durante os 90 minutos de bola rolando. O novo canto “pula sai do chão, quem é pentacampeão” balançou o Maracanã e deu ainda mais incentivo aos times, que entraram bastante ligados. A Alemanha teve a primeira chance clara. Brandt recebeu na entrada da área e bateu colocado, mas a bola explodiu no travessão de Weverton, gelando o Maracanã. O Brasil, porém, era melhor na partida, preciso nos desarmes e com mais lucidez na frente. A pressão brasileira empurrou a Alemanha para trás e Renato Augusto, mais uma vez excelente na função de segundo volante, quase marcou após cobrança de escanteio.

Aos 25 minutos, a apoteose no Maracanã: Neymar sofreu falta da entrada da área e, empurrado pela torcida que gritava seu nome, viveu seu momento de Zico, com uma cobrança magistral que ainda bateu no travessão antes de encontrar as redes. Neymar celebrou com o tradicional gesto de Usain Bolt, que estava na arquibancada e vibrou com o espetáculo, e com uma frase eternizada por Cristiano Ronaldo: ‘Eu estou aqui”.

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Neymar faz gesto para Usain Bolt após marcar gol de de falta sobre a Alemanha, na final do futebol masculino nas Olimpíadas Rio 2016 (Ivan Pacheco/VEJA.com)

A Alemanha, que desde sua unificação jamais conquistou um ouro olímpico (a Alemanha Oriental venceu em Montreal-1976), deu menos prioridade que o Brasil à Olimpíada, mas chegou à decisão com uma equipe de qualidade. Referência em trabalho de base, o time tinha nos meias Max Meyer, do Schalke 04, e Serge Gnabry, do Arsenal, suas principais esperanças. E, apesar da boa atuação do Brasil, chegou bem perto do empate na primeira etapa. Foram duas bolas no travessão após cruzamentos na área. O goleiro Weverton também deu um susto na torcida, ao quase entrar com a bola na meta após chute desviado de Meyer. A primeira etapa terminou sob aplausos da torcida e em cima de plena confiança. 

Drama – Com um time frio, e uma proposta semelhante ao do Brasil – compactação, passes rápidos e velocidade – a Alemanha reabriu a decisão logo no início da segunda etapa. O lateral Toljan cruzou da direita, a bola atravessou a área brasileira e o capitão Max Meyer bateu de primeira para empatar. Foi o primeiro gol sofrido pelo Brasil em seis partidas. A decepção não calou o Maracanã, já que a torcida seguiu cantando, mas o clima de angústia começava a tomar conta. O Brasil respondeu com chute de fora da área de Renato Augusto que passou raspando.

A Alemanha cresceu na partida, mas o Brasil teve boas oportunidades em contra-ataques. Gabigol, porém, tomou decisões erradas e foi substituído, sob vaias, por Felipe Anderson. Guiado por Renato Augusto, técnico e vibrante, e empurrado pela torcida, o Brasil seguiu em busca do gol. Neymar se reencontrou na partida e levou perigo em duas jogadas individuais: primeiro, puxou contragolpe e achou Felipe Anderson, que demorou para bater e foi desarmado. Depois, fintou o zagueiro e chutou com perigo, raspando a trave de Horn. Brasil e Alemanha assustaram em contra-ataques no fim, mas as defesas se mantiveram intransponíveis.

Prorrogação – Logo no início do tempo extraGabriel Jesus teve boa chance, mas foi desarmado. Depois, fez falta dura e se arriscou a levar o segundo cartão amarelo. Micale, então, tirou a revelação do Palmeiras para a entrada de Rafinha Alcântara. O jogo seguia o mesmo panorama, com defesas bem postadas e as melhores chances em contragolpes. Destaque ao longo da campanha, Luan teve outra chance, mas demorou a finalizar. O nervosismo começou a tomar conta do time e da torcida. 

O Brasil começou pressionando no segundo tempo da prorrogação. Neymar encontrou Felipe Anderson na área, mas o goleiro Horn saiu bem, nos pés do meia da Lazio. Neymar, já mancando depois de tanto dividir com alemães, tentou chute de fora da área, mas a bola foi por cima. A Alemanha passou a tocar a bola com pouca objetividade, provocando vaias da torcida.  Rafinha ainda teve boa chance, mas seu chute foi desviado. 

Nos pênaltis, Ginter, Renato Augusto, Gnabry, Marquinhos, Brandt, Rafinha, Süle e Luan foram perfeitos na cobrança. Petersen, então, bateu para defesa de Weverton.  Coube a Neymar a responsabilidade de balançar a rede e acabar com os traumas. O craque caiu no gramado, com lágrimas de emoção, assim como diversos companheiros. O carnaval no Maracanã chegou ao seu ponto máximo no momento das tão desejadas medalhas e ouro.

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